(Livre)ando - O Fantasma da Ópera

Título: O Fantasma da Ópera

Autor: Gaston Leroux

Editora: Ladmark

Classificação indicativa: Livre

Gênero: Clássico

“Podemos lembrar que, recentemente, ao se escavar o subsolo da Ópera, para ali enterrar os registros fonográficos dos artistas, a picareta dos operários pôs a descoberto um cadáver; ora, logo tive a prova de que esse cadáver era o do Fantasma da Ópera!”

 

Quem não conhece o famoso musical da Broadway? Ainda dá tempo de ver aqui no Brasil! Quem conhece a popularidade do espetáculo ao redor do mundo, nem imagina que o livro que deu origem não teve tanto sucesso quando foi lançado. 

 

A história inicialmente foi publicada como folhetim entre 1909 e 1910, de autoria de Gaston Leroux, que originalmente trabalhava como jornalista, que a escreveu após conhecer a Ópera de Paris e o lago subterrâneo que realmente existe abaixo do local, somado ao acontecimento real da queda do lustre em 1896. Em suas primeiras semanas, a obra foi ignorada pelo público, porém pouco a pouco foi recebendo reconhecimento, e chegou ao seu auge com a adaptação para os palcos. 

 

O livro conta a história de Christine Daaé, uma cantora que conquista os palcos da Ópera Garnier com sua voz extremamente belo e única, e seu aparecimento como seu sucesso é inexplicável para o público. Porém por trás dela, uma voz a ensinou técnicas de canto diferentes, e a torna uma soprano inigualável, que supera até a prima dona principal. Essa voz se trata do conhecido fantasma da Ópera.

 

A imagem do fantasma é construída a partir dos relatos dos personagens presentes na Ópera, das cartas do diretor da Ópera na época e do personagem o Persa, que conhece bem a figura, e o ponto de vista de Raul, visconde de Chagny, e apaixonado por Christine. Nessa trama com mais suspense que romance, vemos um trio romântico da soprano, o fantasma e o visconde, com  o dilema do real e o imaginário, em um primeiro momento. 

 

As bailarinas alvoroçadas enxergam o fantasma como de fato uma assombração, mas com o passar na narrativa, ele passa a ganhar forma e intelecto de homem, e até mesmo um nome e história: Erik, um homem nascido deformado, mas com uma mente brilhante, e talentos para música, engenharia e mágica, porém usados indevidamente para armadilhas, ilusões, e conquistar a jovem soprano que treinou por trás as paredes da Ópera. Ao mesmo tempo que temos dó do fantasma Erik, também ficamos com raiva de suas ações insanas, e suas criações mortais, como a câmara dos suplícios.  Mas é inegável o amor obsessivo de Erik por Daaé, e isso o torna um personagem que cria as contradições de nossos sentimentos por ele.

 

Sua habitação é a Ópera Garnier, desde os subterrâneos até os labirintos que tanto sabe sobre por trás das paredes. Escondido, porém ao mesmo tempo manipulador de tudo o que acontece nos palcos e salões, ele se considera o senhor da Ópera. Ele cobra dos diretores um valor a ser pago mensalmente, e o aluguel do balcão número 5, para que assista as apresentações. Nenhum dos diretores consegue revelar a face da assombração que tira o dinheiro de seus bolsos e atormenta seus artistas e espectadores. 

 

foto do camarote nº 5 feita pela Mariana Pacheco, durante a viagem a Paris em 2017. 

 

Quanto a Christine Daaé, é uma jovem de origem sueca que perde o pai, um famoso violinista, que ao morrer promete que sua filha receberá a visita do anjo da música. É essa promessa que a seduz e confunde sobre o fantasma como seu professor. Ela aceita a ajuda sem pestanejar, porém conforme conhece seu mestre, e posteriormente é levado ao seu refúgio subterrâneo, colocada como sua propriedade, ela respeita seu talento, mas teme que nunca mais poderá voltar para a superfície do teatro e para os braços de seu amado.

 

Raul, o visconde de Chagny, conhece Christine desde pequeno, e busca reconquistá-la, após vê-la em uma apresentação triunfal na Ópera, a qual sua família é patrocinadora. Ele a ama, mas não acredita em suas palavras sobre o fantasma, que inicialmente julga uma ilusão ou loucura dela e dos membros do corpo de balé, mas depois toma como um homem real, e busca formas de desmascará-lo e prendê-lo por seus atos. O leitor, inicialmente, se sente como Raul sobre o fantasma: Perdido. Mas aos poucos vai descobrindo sobre ambos os personagens. O relacionamento de Christine com Raul, por alguns leitores não é bem visto por parecer superficial, e sente que o amor de Erik é mais arrebatador, mas possessivo e perigoso. 

 

 A vida é um palco, e a história do fantasma nos permite uma analogia entre a vida real e a vida desejada, e nosso confronto na juventude em escolher entre elas. Erik representaria a vida que desejamos, por trás das coxias, que é o que realmente temos talento e gostaríamos de ser e fazer. Ela não é bela ou fácil, porém tentamos camuflá-la com uma máscara para a sociedade aceitá-la mais. Já Raul seria a vida real, que é descrente de nós, e nos quer longe a qualquer custo do nosso "fantasma", mesmo que ele não acredite que este exista. A vida real nos soa falsa, mas não vivemos sem ela, e precisamos sair para a superfície algumas vezes. Christine seria nós mesmos nesse embate nos palcos.

 

O fantasma da Ópera é mais que uma ficção gótica, escrita a partir de fatos reais que atiçaram a imaginação de um escritor, mas também nos ensinam lições de amor, de vida e sobrevivência, e de nunca julgar por sua aparência, além de atiçar nossa própria mente sobre essa história.

 

E quanto a Ópera Garnier, o que diz sobre?

Quando nossa autora esteve em Paris, ela não poderia deixar de visitar a Ópera Nacional, e perguntar sobre o fantasma. A resposta da guia foi que eles não haviam qualquer produto ou trajeto turístico no local relacionados à história, pois não sabiam se é verdade, entretanto, é curioso, já que ao mesmo tempo que negam o fantasma da Ópera, o camarote nº5 continua alugado e fechado para o fantasma, todas as noites. Além de uma pela ação de marketing, intriga os visitantes.  

 

 

 

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