Francofocine - Série "Versailles" (3a e última temporada)

FICHA TÉCNICA:

VERSALHES

Nacionalidade: EUA, França, Canadá, Reino Unido

Direção: Jalil Lespert, Christoph Schrewe, Thomas Vincent, Daniel Roby

Gênero:  Drama Histórico

Lançamento: 2018

Elenco: George Blagden, Alexander Vlahos, Tygh Runyan, Stuart Bowman, Amira Casar, Evan Williams, Noémie Schmidt, Anna Brewster, Sarah Winter

 

 (O fim de um reino, o nascimento de uma lenda)

 

E  terminamos a terceira e última temporada da série "Versalhes", e já nos deixa com saudades e muitas lições sobre o rei mais famoso da França. Nessa fase, os últimos anos do rei Sol são trazidos, e sua face mais obscura diante de situações que desafiavam sua legitimidade à coroa e ao seu poder absoluto. 

 

Teremos três esferas girando em torno da grande estrela do palácio, e que irão desequilibrar seu controle, e fazê-lo questionar quem ele é:

 

- As guerras diplomáticas com a igreja católica

Até onde Luís era o Estado? Até onde suas ordens e independência iam? Até aonde a Igreja Católica Apostólica Romana Permitia e apoiava. E essa questão se torna crítica quando tantas guerras entre países católicos e protestantes estão acontecendo (especialmente com a Holanda e a Áustria). Um passo entre os monarcas em relação ao papa é decisivo para receber apoio ou não de Roma. Seja criar uma perseguição aos protestantes até laços matrimoniais interesseiros. É nesse cenário que Luís se mostra.

A igreja católica está ainda em combate com a expansão do protestantismo, que parece ser comum na corte de Versalhes onde os huguenotes (protestantes franceses) vivem sem problemas, tanto no palácio quanto em Paris. Até o apoio de Roma se tornar necessário para a expansão da França. Luís XIV começa com medidas ponderadas até se extremar, ao ponto de prender todos os protestantes de Paris e Versalhes, e lhes confiscar as terras e direitos.

Mas isso não resolve seu problema, e, após a morte de sua rainha consorte Maria Theresa, lhe é exigido um novo matrimônio. O rei não deseja tal aliança, pois seu coração está apaixonado pela sua amante madame de Maintenon (que aliás de boa moça puritana da 2a temporada não tem nada, e revela sua astúcia em usar a fé e o intelectual para controlar o monarca e suas decisões). Quando é pressionado em relação ao matrimônio, ele desafia ferozmente o Vaticano, e opta por ser rei de sua própria igreja católica da França. 

 

- O homem da máscara de ferro tem seu retorno

A motivação para assistir essa temporada é a presença de uma figura que já apareceu nas telinhas há algum tempo: o homem da máscara de ferro. Quem assistiu o filme com Leonardo DiCaprio, e notou algumas referências (que não vamos falar, para evitar spoilers), já imaginava qual seria a identidade do homem por baixo daquela terrível máscara. Entretanto, o enredo soube nos surpreender e criar uma nova teoria (e também aprimorar a já presente no filme de 1998). A revelação coloca Luís em uma crise de identidade, e sua decisão também demonstra a evolução de sua personalidade egocêntrica.

Esse elemento nos remeteu à uma antiga história francesa que de fato é verdadeira por causa de registros da Bastilha, porém mantêm a afirmação que a identidade do homem da máscara de ferro não deveria e não deverá ser revelada, tanto naquela época, quanto até hoje. Jamais saberemos quem ele foi, mas que as idéias sobre o tema ficaram bem interessantes na série, isso ficaram.

 

- Um dia marcado na História: os primeiros indícios da revolta

Impostos absurdos sobre tudo, falsas melhorias, situação de pobreza e fome, além de represálias pesadas contra manifestações que expunham a verdade. De que lado você está? Do rei ou da França? A situação crítica de Paris começa aqui, com Luís XIV pressionando e explorando ao máximo seu povo para manter suas vontades. E aqui também vemos as primeiras demonstrações de insatisfação popular, onde os parisienses não se importam com iluminação e esgoto, mas sim para a falta de comida, impostos mais altos do que salários, árduo trabalho para nada. Cartazes contra o rei começam a surgir e os mosqueteiros se tornam opressores. Pessoas morrem de fome e também aceitam perder suas vidas na tentativa de acertar uma bala no grande Sol. 

Um dia que foi mostrado na série que consideramos o início do fim da estrutura monárquica francesa, e que levaria ao dia em que a Revolução Francesa aconteceria (e que infelizmente ficou de fora da produção).

 

 

Personagens que sentiremos falta!

Houveram figuras que acompanhamos nas três temporadas, que acabamos nos apegando, e que nos ensinaram um pouco de História com uma face mais humana.

- O trio de Versalhes - Filipe, princesa Palatina e Chevalier de Lorena formaram uma equipe um tanto divertida quanto verdadeira em relação às suas reações ao ver o que Luís fazia em Versalhes. Algumas de suas reações nós também tínhamos ao assistir os episódios, principalmente quando "o irmão fingia ser Deus".

- Bontemps - o conselheiro fiel, braço direito e babá do rei, que em nenhum momento saiu do lado de Luís também teve sua crise de identidade nessa terceira temporada e teve que provar tanto ao rei quanto aos telespectadores que sua fidelidade em duas temporadas passadas foi sincera.

- Colbert - o cara que nunca se divertia e vivia impondo as finanças ao rei, lhe apontando os gastos absurdos e controlando as diversões do palácio, partiu tristemente com palavras emocionantes, que nos fazem pensar que seus esforços não foram pelo rei, mas sim, pela França. Ele deixou de ser um chato afinal...

- Fabien Marchal - O espião número 1 do serviço secreto de Luís nos fez ter consideração por esse anti-herói que perdeu suas amadas em todas as temporadas, e ter muita dó dele por isso. Primeiro uma médica, depois uma nobre espiã dupla e por último uma camponesa protestante rebelde, todas perdidas. Assim parte o nosso coração! E nem sua casca grossa de anos obedecendo o rei aguentou as últimas ordens tão egoístas. A última tentativa de Marchal em tentar lavar suas mãos é digna, mas ele merecia um final melhor.

 

 

O legado de Luís XIV foi um palácio enorme, coberto de ouro, com sua imagem em cada detalhe. Também representa a falência da França com luxúria e outros abusos feitos pela nobreza, que perdurou até 1789. Apesar dos dias de glória, Versalhes teve dias de queda, quando seus móveis foram roubados para pagar uma enorme dívida interna e recuperar os cofres nacionais. Foi esquecido por anos, até se tornar um museu. Porém, o legado do rei Sol sobreviveu a cada revolução, império, levantes, guerras e democracia. Ele ainda está lá, para quem quiser sentir a atmosfera de um sonho e pesadelo no mesmo lugar. 

 

 

 

 

 

 

 

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