O Processo de formação do Leitor

 

Escutando sobre o assunto na rádio, ouvi o comentarista dizendo que o brasileiro não passou pela transição completa de comunicação. Explicando popularmente: pulamos a etapa da leitura e escrita, indo do sonoro para o visual. Da fala para o imagético. Completando essa opinião com a minha própria, não formamos leitores, mas apenas falantes (e combinemos, com mediocridade). 

 

 

Diante da pesquisa que afirma que 40% dos brasileiros não lêem e 30% nunca comprou um livro, é importante entendermos a importância da formação dos leitores na sociedade, desde crianças até a idade adulta. Se esse processo, feito do dedicação, podemos construir uma geração de leitores dispostos a preservar nossa literatura.

 

Ensina a criança a ler, e ela não se afastará do livro

Um leitor deve ser incentivado desde cedo a ler. Pois quando criança, ele não é um leitor, apenas um alfabetizado,que reconhece letras e sua utilização na construção de frases, que posteriormente formarão frases. Entretanto, precisa entender a construção dos significados, e é ai que a leitura entra. A escola, bibliotecas, e principalmente os pais, fornecerão para essa criança livros selecionados inicialmente para a idade adequada para que  comece a construir significados e entender uma história com começo meio e fim. 

 

Comecei a ler com 8 anos, e minhas primeiras leituras foram as Histórias em Quadrinhos. Normalmente são mais atrativos para as crianças, pela combinação de imagem e texto, e por isso ajuda na interpretação da história e do que o verbal traz de informação, complementado com o imagético. Além disso, mesmo as HQs ou gibis mais recomendados para o público infantil (como Turma da Mônica) não possuem contextos tão banais, e fazem refletir melhor do que os desenhos animados da atualidade. É uma boa dica para começar a incentivar a leitura.

 

Fase de transição: O que eu tenho, quero ou gosto de ler?

Quando mais jovem, entre 15 e 17 anos, a pessoa começará a aprender quais temas o interessam dentro da literatura, já escolhendo os livros que fazem parte dos gêneros que o agradam (tais como romances, policiais, aventura, suspense, terror). Também saberá a selecionar o que o agrada e chama atenção no processo de escolha do livro, e o porquê, tais como a capa, a sinopse, o personagem, o vilão...

 

Entretanto, essa fase é complicada, pois é um momento que as leituras obrigatórias escolares se iniciam ou ganham mais peso na vida dos estudantes, e pode prejudicar o gosto pelo leitura de uma vez por todas. A escolha dos livros paradidáticos normalmente não é pensada no gosto dos alunos, mas sim na necessidade de cumprir a grade de matérias. 

 

Não podemos dizer aos filhos e estudantes "Não leiam o livro da escola!", mas podemos lhes oferecer mais de uma opção, como um segundo livro da escolha dele para acompanhar a leitura do obrigatório, de forma que ele se entretenha após a leitura escolar. Pode ser de um tema semelhante ou não. Outra ideia é ajudar o estudante no processo. Alguns livros chatos da escola, normalmente minha mãe lia comigo e me ajudava com os exercícios da escola referente à leitura, e como já eram livros que ela havia lido na mesma idade, entendia minhas dificuldades e refletíamos juntas.

 

Dessa forma, apesar de momentos difíceis que os jovens podem encarar com a literatura obrigatória no colégio, ele não culpará a literatura, e saberá lidar com a situação sem se prejudicar na escola e manter o gosto pela leitura que lhe agrada.

 

 

 

 

Fase adulta: universidade e vida corrida:

Quando adulto, essa etapa de seleção lhe será útil para a leitura de bibliografias acadêmicas, para que entenda ideologia e discurso, sociólogos e economistas, qual informação está certa ou equivocada de acordo com seu próprio ponto de vista, como utilizará as informações para alcançar seus interesses ou realizar alguma tarefa na faculdade ou no seu dia a dia no trabalho, e onde achar essas informações, sabendo separa-las e organiza-las de acordo com seus objetivos finais. Enfim, nessa etapa, o leitor está formado, e possuí uma bagagem para saber se comunicar e manusear a comunicação como lhe aprouver.

 

Entretanto o tempo escasso pela correria de trabalho e faculdade pode reduzir drasticamente o tempo para se dedicar à leitura. Para essa dificuldade, eu tenho um truque infalível que sempre uso no meu dia a dia: Leve sempre um livro consigo! Na mochila, na bolsa, na mão, sempre carregue um livro. Você nunca sabe quando estará entediado e poderá desfrutar de alguns minutos para ler, ao invés de ficar no celular. O livro físico não acaba a bateria, não corre risco de ser roubado e realmente pode ser lido em qualquer lugar. 

 

 

A ESCRITA E A LEITURA SÃO FORMAS DE COMUNICAÇÃO!

UM SER HUMANO QUE NÃO AS DOMINA NÃO POSSUI UMA COMUNICAÇÃO COMPLETA, LOGO, POSSUÍ FALHAS E LACUNAS EM SEU VOCABULÁRIO E CONSTRUÇÃO DE IDEIAS.

A formação do leitor não é prioridade no Brasil, e por isso nossos ouvidos (e olhos por conta das redes sociais) tem virado penicos nos últimos anos...

"Quem não lê, mal sabe, mal ouve e mal vê." Monteiro Lobato

 

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