Personnalités #9 - Luís XIV: não voe perto do Sol

Luís XIV ficou conhecido por seu período que reinou como rei soberano da França, resumindo seu poder como " o Estado sou eu!", um governante absolutista e comparado com a força do Sol, que foi refletido nas paredes douradas do grandioso palácio de Versalhes, sua construção e sonho.

 

Entretanto, a história de Luís XIV resguarda os motivos de seu exagero ilimitado e que ainda hoje não é bem visto aos olhos dos parisienses e franceses...

 

Luís não teve uma infância das mais fáceis ou das mais normais, nem as melhores relações familiares, e só por isso já vemos as primeiras complicações que afetariam o comportamento do futuro rei.

 

Perdeu seu pai aos cinco anos, e ficou sob os cuidados de sua mãe, rainha consorte Anne da Áustria, e sua educação foi de responsabilidade do cardeal italiano Giulio Mazarin, e a sombra da coroa que iria carregar sempre ofuscava seu irmão mais novo, Filipe, Duque de Orleans. Nesse tempo em que se esperava a maior-idade do jovem delfim, a corte, extremamente incomodada com a rainha Anne, considerada traidora, e Mazarin, uma figura mal vista e que agora dominava os poderes do Estado, se revoltava com o regime que estava sendo empregado, e empregou momentos de revoltas e tentativas de homicídio contra o jovem herdeiro do trono francês, obrigando a família real a deixar Paris e se esconder por algum tempo.

 

Aos 13 anos de idade, Luís assumiu seu lugar no trono, e findou a regência de sua mãe, para começar a escrever seu legado como rei da França. Foi aconselhado por Mazarin até a morte deste, e então, não aceitou mais decisões de segundos, se colocou como único governante e responsável pelas decisões em seu país. Além disso, decidiu que se antes teve que submeter a corte, agora seria justamente ao contrário, a qualquer preço. A corte se curvaria ao rei.

 

Nessa intenção, surgiu em seus sonhos um palácio afastado dos conflitos de Paris, a imagem de um refugio para o rei, onde ele governaria absoluto, e controlaria cada gesto de sua nobreza, além de exibir sua magnitude: começava então a ideia do palácio de Versalhes. 

 

Os cofres públicos não se encontravam em boas condições, por conta dos gastos em guerras que o país enfrentava, e continuaria a enfrentar, além de  despesas desnecessárias para sustentar os nobres, entretanto, tudo iria piorar com a construção de um palácio de tamanho e grandeza inimagináveis. 

 

Versalhes fica a 18 km de Paris, e até os dias de hoje é preciso pegar a estrada para chegar ao local, que, aliás, não é apenas o palácio, mas um departamento, uma região nas proximidades da capital e que, posteriormente, se tornou conhecida pela morada do rei.

 

 

Era um antigo pavilhão de caça que o pai de Luís XIV frequentava. Um lugar de solo pantanoso e que não prometia muitas possibilidades, porém com a contratação dos melhores arquitetos, engenheiros, jardineiros e paisagistas, o sonho do rei se tornaria realidade. Os espaços deveriam ser aprovados por Luís XIV, e em algumas plantas, o rei teve influência direta. O foco de sua majestade era seu palácio, sempre.

 

Quando as obras já estavam bem encaminhadas, surgia a missão de trazer a corte de Paris para sua nova habitação, o que era um grande desafio, já que as movimentações principais do país ainda estavam em Paris. Era preciso mudar isso.

 

Luís começou os primeiros indícios de uma agência de comunicação, um departamento de publicidade para convencer a corte a se mudar, levando todos os conceitos de moda, de novidades, luxo e o que mais os fizessem se sentir bem acomodados para Versalhes, e retirar o foco de Paris, que, aos poucos foi esquecida. Também começou a ideia de um serviço secreto para controlar conspiradores e possíveis revoltosos que tentassem algo contra seu absolutismo, sendo seus olhos por trás das paredes de ouro.

 

Quem moraria em Versalhes também passou por um pente fino. Era preciso apresentar uma linha genealógica que comprovasse sua nobreza, caso contrário, perderia títulos, posses e pagaria impostos como qualquer camponês, além de, claro, se retirar do palácio. E para humilhar e manter sua corte bem submissa, uma série de protocolos deveria ser obedecido, e estar nas graças do rei era a vontade de todos que conviviam naquela gaiola de ouro, fazendo tudo que lhe fosse pedido, até mesmo segurar uma velha inutilmente durante a noite, só para ter alguns segundos próximo do monarca (daí a frase "segurar vela").

 

Entretanto as condições das obras não iam bem. Não era a corte que causava problemas, mas sim os trabalhadores, que, cansados de ver carroças com cadáveres deixar os fundos do palácio toda noite, se manifestaram constantemente contra a construção de Versalhes. De pouco adiantava. Eram abafadas com violência, e Luís seguia em frente, consumindo as forças de seu povo, o ouro dos cofres públicos, para sustentar sua imagem.

 

O palácio demorou para ficar ao querer do rei 60 anos, e Luís conseguiu o que queria, sendo copiado por outras monarquias européias na construção de seus "lares", porém só conseguiu aproveitar 4 anos posteriores ao término, falecendo. 

 

Na verdade, as obras nunca foram finalizadas, já que as outros reis, Luís XV e Luís XVI, acrescentaram mais alguns elementos no palácio durante seus reinados, então os gastos permaneceram infindáveis, além do que eram despesas para sustentar toda a corte e seus empregados internos. 

 

Por conta de uma história de extremos, desperdícios e exploração, o palácio de Versalhes não é visto com bons olhos pela população parisiense, ou pelos franceses, que não esqueceram o quanto a monarquia cobrou do povo para  aquela construção. Entretanto, é inegável que o quanto o palácio ganha anualmente com o turismo, é um valor das rendas da capital. Nisso, não podem acusar o rei Luís XIV, que construiu algo que sobreviveu ao tempo, a Revolução, e até os dias de hoje, faz as pessoas atravessarem oceanos só para conhecer a magnitude do que seu poder como rei Sol foi capaz de fazer.

 

 

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