Mère et Fille - Maria Theresa e Maria Antonieta

Viena, 2 de novembro, palácio de Schönbrunn, nascia Maria Antonia Josefa Joana de Habsburgo-Lorena, a filha mais nova dos 13 filhos de Maria Teresa, a imperatriz mais imponente da Áustria.

 

Maria Teresa, destinada desde sua infância para um dos tronos mais imponentes da Europa: o da Áustria, pertencente aos Habsburgos. Entretanto precisou reafirmar sua dignidade dentro da família real para assumir a coroa depois da morte de seus pai. Nessa posição de liderança de um Estado, ela se tornou uma mulher séria e focada em sustentar sua monarquia e seu país, algo desafiador quando não se tem aliados de outras potências da época como apoio. Se tornou uma grande monarca reconhecida por seu povo e responsável por uma era de ouro da Áustria.

 

Enquanto lutava para manter sua soberania, a imperatriz da Áustria também viu o nascimento de seus herdeiros, 16 filhos, porém somente 13 sobreviveram e chegaram a idade adulta. E quando os filhos mais novos nasceram, Maria Teresa já se via na obrigação de arrumar casamentos arranjados e politicamente vantajosos para os mais velhos. Apesar de ter sido uma mãe carinhosa e dedicada aos filhos, como imperatriz, os usou para formar as alianças necessárias com outros países. Além disso, era exigente, e escrevia para cada um constantemente para cobrar-lhes posição dentro do casamento.

 

Quando chegou o momento de casar sua filha mais nova, Maria Antonia, o noivo escolhido foi o delfim da França, e futuro Luís XVI. A educação da garota não foi dos melhores, porém quando o noivado foi anunciado, a imperatriz se esforçou ao máximo para aprimorar seus modos, e moldando-os ao estilo da corte francesa, mas também tentou reatar seu relacionamento materno tão frágil. O casamento foi realizado e a jovem princesa, agora chamada de Maria Antonieta, se despediu do palácio de Schönbrunn, e o último conselho de sua mãe foi:

"Mesmo que agora faça parte de seu dever ser francesa de alma, lembre-se: nascera na Áustria. Continue sendo uma boa alemã, seja fiel à sua casa."

 

Maria Antonieta passou sua vida inteira com essa pressão de sua mãe. Ser filha de Maria Teresa não era fácil. A jovem rainha recebia cartas quinzenalmente de sua mãe, relembrando sua fidelidade, e repreendendo as atitudes que considerada inadequada (como indisciplina e preguiça), inclusive sua incapacidade de ter filhos com o delfim francês. como se isso não bastasse, também era pressionada pelo embaixador Mercy, que promovia os interesses austríacos em Luís XVI.

 

Depois de 7 anos depois do casamento, finalmente nascia a primeira criança real, uma princesa, que deu o nome em homenagem a sua mãe, Maria Theresa, que recebeu o titulo de madame Royale. Mesmo tendo retomado a vida conjugal, foi julgada inútil, tanto pela corte francesa quanto pela austríaca, já que não teve um primeiro filho homem, para herdar o trono.

 

 

Angustiada e com medo de sua filha ser manipulada pela corte francesa, Maria Teresa buscava ser a razão para sua filha nesse ambiente que tanto a hostilizava, e explicando-lhe que a melhor forma de resolver essas situações era cumprindo suas obrigações como monarca. Entretanto, não era o tipo de conselho que Maria Antonieta ouvia. A rainha francesa vivia despreocupada, e se divertia com sua filhinha, que cresceria sem as obrigações da mãe, já que não herdaria o trono francês, pois alguns anos depois teve dois filhos homens, Luís José e Luís Carlos.

 

Enquanto Maria Antonieta se divertia em um vilarejo camponês criado dentro de Versalhes para sua diversão, a hostilidade só aumentava, e já não tinha mais o tom de repreensão materno, já que a grande imperatriz austríaca falecera em 1780, deixando sua filha mais nova lidar com a França rebelde sozinha.

 

Mesmo que se esforçasse em ter uma vida política mais correta aos olhos da corte francesa e tomando essa pátria como sua de coração, a rainha francesa foi vista como a responsável pela falência econômica do país. Se curvou diante do povo francês quando Versalhes foi tomada, mas suas ações foram muito tardias, e não surtiram efeitos para acalmar a multidão revoltada. Maria Antonieta foi presa junto com o rei Luís XVI e sua família. Após isso, ela desistiu de sua vida política, cansada de ser culpada por tudo que ocorria de errado.

 

A familia real francesa fracassou em uma fuga da prisão em Tulherias, sendo novamente pegos na fronteira da França. Agora, sem confiança no rei, esse plano fracassado abria as porta para homens mais radicais dominarem a situação. Os jacobinos se aproveitaram do momento e proporem suas regras e se livrar do rei e seus herdeiros de uma vez por todas, mas a rainha infiel a pátria teria um tratamento diferenciado.

 

Seus filhos, Luís Carlos e madame Royale, haviam sido separados dela e não recebia noticias de como estavam sendo tratados. Depois da morte de Luís XVI, Maria Antonieta era chamada de viúva Capeto, e seu julgamento já havia sido montado para colocá-la como culpada. Foi acusada de esgotar o tesouro nacional, traição e conspiração, ela se defendia. A acusação que mais lhe foi ofensiva foi de incesto, e Maria Antonieta se levantou e exclamou "Se não respondo, é porque a própria natureza se recusa a responder a tal acusação feita contra uma mãe! Faço um apelo a todas as mães presentes.". Por alguns minutos, ela teve apoio popular, lhe garantindo o que Robespierre chamou de seu "último triunfo público".

 

 

 

Ainda assim, ela não escapou da guilhotina, mas seguiu no cortejo para a execução com a cabeça alta, pois "seria assim que uma filha de Maria Teresa morreria.". Em um ultimo momento, talvez, tenha lembrado do que sua mãe a ensinou, infelizmente foi tarde demais.

 

 

 

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