O caso do colar de diamantes

"- Por status, um homem se engana, por cobiça, uma mulher se deixa queimar, e por dinheiro, mancha-se a própria imagem. Essa é a corte francesa..."

A Rosa e o Florete

 

 

 

Duvido que a Maria Antonieta, apaixonada por jóias e objetos caros, imaginasse que um colar que nunca chegou a usar seria responsável por iniciar sua ruína e preparar seu caminho para a guilhotina. Mas é justamente essa a história.

 

Os joalheiros Boehmer e Bossange eram famosos por suas jóias produzidas para a monarquia e a corte de Versalhes, porém uma se tornou seu trabalho de maior atenção, podendo ser chamado de fruto da vaidade e do luxo: era uma peça composta por 647 diamantes, 2800 quilates, e batizada como "O Colar do Escravo". Essa jóia de valor absurdo e beleza incomparável havia sido feita para o pescoço da amante de rei Luís XV, madame Du Barry, a cliente mais fiel dos joalheiros. Porém, devido a morte do monarca e a expulsão da mulher de Versalhes, o colar ficou sem sua compradora.

 

Boehmer e Bossange brilharam seus olhos para a nova rainha, Maria Antonieta. Somente ela teria dinheiro e requinte o suficiente para usar essa valiosa peça. Entretanto, pelo design complicado, pelo preço e principalmente para quem o colar havia sido feito, ela recusou a compra da jóia, mesmo com seu marido oferecendo-se para pagar a conta. Maria Antonieta nunca chegou a comprar, e muito menos a usar o colar.

 

Entretanto a história não acaba aqui.

 

Os joalheiros reais entraram em desespero pela recusa da rainha, como pagariam as dívidas que haviam adquirido para montar aquela peça? E sua reputação diante da nobreza? Tudo estaria perdido, até que receberam uma oferta do cardeal de Rohan, que dissera comprar a peça em nome da rainha, por um desconto generoso, e que presentearia sua majestade com o colar, que seria pago posteriomente pela própria rainha.

 

Mas os joalheiros nunca receberam o valor da conta, e por isso foram perguntar diretamente a sua majestade sobre o valor. Maria Antonieta não entendeu nada. As investigações foram até o cardeal, que por sua vez não compreendeu como o valioso colar não havia sido entregue para a rainha. Onde havia parado o colar de diamantes?

 

Jeanne de Valois-Saint Rémy, mais conhecida como condessa de La Motte, foi capaz de tramar uma trapaça cuidadosa e bem elaborada para colocar as mãos na jóia. Tudo o que ela precisou foi uma atriz desconhecida que parecesse com a rainha, uma copiador para escrever uma carta em nome  de Maria Antonieta e a necessidade do bispo de Rohan em agradar sua majestade.

 

Fingindo-se intermediária e amiga de Maria Antonieta, convenceu o bispo que a melhor forma de melhorar suas relações com a rainha (que eram péssimas devido a circustâncias do passado) era com a compra do colar, Rohan inicialmente não acreditou, mas depois de um encontro com a "Maria Antonieta" (e aqui entrou a atriz) e algumas correspondências assinadas pela rainha (com a assinatura falsificada pelo copiador), Rohan fecha negócio e entrega a peça para Jeanne, e que depois da entrega da peça, a rainha lhe daria o dinheiro para pagar os joalheiros, mas depois nunca mais recebeu notícias do colar, nem da rainha e muito menos da condessa.

 

Jeanne pretendia fazer dinheiro com os diamantes do colar, porque, apesar do título, não era nobre. Era uma camponesa, que ao se casar de torna condessa, e convence o marido e o amante a participarem de tamanha tramóia. Entretanto, seu plano foi desmascarado, e ela, como todos os envolvidos foram presos e julgados. E o julgamento público e escandaloso foi comentado além dos portões de Versalhes, chegando até Paris.

 

O bispo, por sua influência, escapou da prisão, mas os outros envolvidos não, e Jeanne, em especial, foi marcada publicamente, em ferro quente, com a letra V, de ladrão (Volleur), além de ser chicoteada. Mas castigo maior foi para a rainha Maria Antonieta, que por fazer questão de tamanho espetáculo para um julgamento, buscando inocentar sua própria imagem do caso, acabou se tornando culpada pelos exageros, e aumentando a indignação popular contra ela.

 

E o colar?

Não se sabe ao certo. Jeanne e o marido venderam os diamantes em Londres, a peça nunca foi usada por ninguém, a única coisa que se tem do colar é uma réplica que se encontra atualmente no Château de Breteuil, mostrando exatamente como ele era: uma jóia digna de um escandâlo.

 

 

Fonte: https://rainhastragicas.com/2013/03/04/a-intriga-do-colar-da-rainha-parte-i/

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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