Versalhes pt 3/3 - Os fantasmas do palácio

 

A revolução se findara, e a França regredira ao se tornar império de Napoleão, que fez questão de voltar a morar  em Versalhes.

Em sua ausência, Napoleão entregou todos os apartamentos do local para serem decorados por sua esposa, Imperatriz Maria Luísa da Áustria, para quem esse trabalho era penoso, e dormir naquele lugar era uma pesadelo, pois um dia sua tia-avó, rainha Maria Antonieta, tivera seus momentos de decadência em Versalhes, o que a condenaram à guilhotina, o que a levava a pensar se não corria o mesmo risco ao se casar com o novo imperador francês e aceitar viver no palácio que era assombrado pela monarquia e corte decapitadas.

 

Mas não seriam apenas isso, mas o palácio também seria assombrado pelos gemidos dos soldados feridos nas guerras napoleônicas que residiam no petit appartement du roi, o novo anexo do Hôtel des Invalides, enquanto o imperador cogitava suas novas estratégias de batalha no Grand Trianon.

Porém a grandeza de Napoleão o derrubou, e ao ser mandado para ilha de Elba e posteriormente para a ilha de Santa Helena, onde passaria seus últimos dias, Versalhes novamente se tornou silencioso e morto. Nem Luís Filipe, mais conhecido como Luís XVIII, ousou retornar ao local da queda de seus antepassados, e oficialmente o enorme local se tornou apenas um museu destinado para as glórias da França, se tornando mais um monumento ao passado. Porém, que glórias francesas poderiam vir daquele palácio? Foi com a construção de Versalhes, que reluzia mais na luz do rei Sol que a monarquia parou de olhar para o povo, e também foi ali que a coroa do rei Luís XVI caiu, assim como sua cabeça no cesto da guilhotina, e aquele sangue assombrava a mente de mais uma austríaca, Maria Luísa, que se encontrava no mesmo lugar que Maria Antonieta, e mais nenhum nobre ousaria pisar em Versalhes com um título, muito menos um rei francês desejaria sentar-se no trono.

 

A democracia foi estabelecida em 1848, após os levantes em toda a França, mais uma vez. E então o que restou do passado de Versalhes foram sua beleza exterior, com os jardins e a decoração magnifica de seus aposentos, e as histórias da decadência de seus moradores.

 

Tudo acaba em Versalhes.

 

 

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