Versalhes pt 2/3 - a tempestade cai

 

 

Noite do 5 de outubro de 1789, começava a chover em Versalhes, uma longa chuva que duraria a noite inteira, entretanto não era isso que preocupava a corte e o rei da França, mas sim a turba de mulheres e camponeses revoltados que se dirigiam pela estrada em direção ao enorme palácio para Reinvidicar o preço do pão e dos impostos cobrados. Luís estava em seu escritório pensando como aquilo aconteceu? 

Será que quando ele se recusou a aceitar as reivindicações do terceiro estado, do povo, na Assembléia dos Estados Gerais?

Ou será que foi com a queda da Bastilha em 14 de julho? 

Não Luís, foi tudo, um enorme acumulo de gerações, de erros, gastos, impostos, sem resultados, sem mudanças. E que agora atingia seu limite, era a gota d'água para iniciar uma tempestade, que ia cair em Versalhes, sem piedade. E a tempestade começou em Paris, longe dos ouvidos do rei.

 

Paris, em 14 de julho, com a queda da Bastilha, percebeu que realmente seu rei não estava preocupado em atender as reais necessidades do povo, que morria de fome e de miséria. Então, 3 meses se passaram, e as mulheres parisienses cansaram de não conseguirem sustentar suas familias, o pouco dinheiro que tinham não pagavam os mantimentos, nem o básico para o pão, os impostos consumiam todas as economias, era a hora de uma ação. As mulheres se dirigiram para Versalhes, e junto delas, outros revoltados se uniram a causa, não era mais apenas pelo pão, mas pelos impostos, pelos gastos exorbitantes, pelo esquecimento do rei, pela tolice da rainha, pelo descaso da corte.

 

Mas não importava a distância, o povo iria até Versalhes.

 

Luís e Maria Antonieta se escondiam nos aposentos do rei, enquanto a multidão revoltada invadia o palácio. A guarda real não existia mais, a guarda francesa se virou contra o rei, a guarda nacional se rebelou contra seu comandante La Fayette, o palácio estava a mercê dos rebeldes que não conseguiam ser contidos por nenhuma força militar que restara para proteger o lugar. Era preciso alguma atitude rápida antes que os jardins de Versalhes fossem regados com sangue de ambos os lados.

La Fayette, nobre e estrategista militar, apesar de ter sido exonerado de seu posto por seus soldados, percebe que é preciso uma ação para amenizar as coisas, e sugere que o rei se mostre ao povo no balcão principal do palácio, um gesto de respeito e consideração. O povo sauda Luís com um "Vive le Roi", e depois exige que Maria Antonieta se apresente ao balcão, ela vai, e mosquetes são apontados em sua direção, entretanto a rainha se curva para seu povo, que grita "Vive la Reine". A monarquia estava rendida a França.

O dia de 6 de outubro nascia quando foi exigido da família real que voltassem com a multidão para Paris, e foram mantidos no antigo palácio de Tulherias. O rei deveria ficar perto de seu povo até que mudanças acontecessem.

 

Demorou, mas finalmente a corte e a monarquia entenderam: não era mais apenas uma revolta, aquilo que acontecia na França era uma revolução.

 

Luís XVI e Maria Antonieta nunca mais voltaram a Versalhes. 

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