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Uma Primavera na Provence

Título: Uma Primavera na Provence

Autor: Anaté Merger

Editora: Sarvier

Classificação indicativa: Livre

Gênero: romance / melodrama

"Acho que só é possível conhecer realmente um país ou cultura

se estivermos imersos nele."


Conheci a autora Anaté Merger virtualmente pelas linhas literárias da vida. Ela é uma brasileira casada com um francês e residindo na França. Essa foi nossa primeira relação. Além disso, Anaté também trabalha com turismo na região da Provence, onde mora, considerando diversos pontos históricos. Aliás, a região e os cenários são fontes de inspiração para suas obras, e se fazem presentes nas histórias.


Já fazia algum tempinho que tinha interesse em ler algum livro da autora franco-brasileira, e quando ela anunciou o lançamento de "Uma Primavera na Provence", eu fiquei mais animada ainda por um motivo peculiar: era a junção perfeita da França com a Coreia - ao melhor estilo de doramas, porque Anaté também adora as séries sul-coreanas. E com minha atual relação com a Coreia pelas minhas pesquisas acadêmicas, esse foi mais um motivo para eu correr até ela e pedir meu exemplar. Quando chegou em casa, eu comecei a ler.


Do lado ocidental da história, na França, temos Sophie, uma professora de francês, e antiga fotógrafa, tentando pagar as contas da reforma do Instituto de Francês para Estrangeiros que era de seus pais. Além disso, também precisa lidar com um problema de pele crônico (creio eu, uma psoríase), que se agrava em seus dias de stress, que se fazem cada vez mais presentes, especialmente com a pressão do seu marido Francis para vender o instituto e se mudar com ele para uma ilha a trabalho. Entre brigas com o marido e lutando pelo seu instituto, Sophie percebe que deve trilhar seu caminho tão incerto.


Do lado oriental, temos o famoso cantor e ator Keun-Suk, que coleciona fãs pela Ásia, mas esconde um segredo: ele sofre com glossofobia, que é praticamente medo de falar em público, ficar na frente de muitas pessoas e subir no palco, no caso do artista. E como se isso não bastasse, toda a sua vida - tanto profissional quanto pessoal - é controlada por sua mãe, colocando pressão extrema em seu sucesso. Depois de crises constantes, ele percebe que precisa de uma pausa urgente, e mais que isso: um sumiço de sua vida de famoso. Um amigo recomenda que dê um tempo em um canto isolado da França, em Provence, onde não encontrará tantos fãs que o fotografem e que a mídia não o rastreará.


É nesse cenário que Sophie e Keun-Suk se encontram. Ele se oferece em privatizar, pagando as contas da reforma do Instituto, em troca de Sophie deixá-lo ficar por lá. Ela aceita pelo bem de sua independência de seu marido e de seguir a vida que deseja, mantendo o sonho de seus pais. E debaixo do mesmo teto na fazenda que abrira a instituição e casa de Sophie, os dois, com culturas diferentes, mas igualmente confusos e com problemas para lidar, irão aprender um com o outro e, principalmente, um sobre o outro. O romance então pode começar, mas não sem enfrentar todos os medos, anseios, desafios e inimigos. Vai exigir muita coragem e amor dos dois lados do mundo!


Eu simplesmente me apaixonei pelo livro!

Anaté fez uma bela pesquisa sobre a Coreia do Sul, trazendo costumes dos sul-coreanos, as culinárias, e as palavras como são pronunciadas e escritas em hangul. E também trouxe seu toque mágico com os lugares da Provence (saindo do circuito de Paris), colocando lugares reais para visitar durante a narrativa - aliás, no final do livro, Anaté faz a listinha destes lugares com mais detalhes sobre para quem quiser, um dia, conhecer ao vivo!


A abordagem dos problemas físicos e psicológicos dos personagens trazem mais humanidade para eles, saindo da ficção, e permitindo um debate a respeito de como essas situações devem ser vistas, e acima de tudo, respeitadas e acompanhadas de ajuda e apoio de pessoas certas e amigas. E, aos poucos no enredo, esses problemas que parecem um grande caos indomável, começam a ser tratados por dentro, e melhorando por fora, não sendo mais uma barreira para Sophie e Keun-Suk. Aqui, a sensibilidade que Anaté demonstrou foi maravilhosa e gentil.


Os personagens, não apenas os principais, mas também aqueles que também estão em torno deles, são memoráveis, até mesmo os vilões são completos e não apenas ruindade. Além disso, segue respeitosamente a amarração das tramas coreanas, nos prendendo do começo ao fim, sem nenhuma apelação, somente uma excelente história! O final é mais do que perfeito, e já falei com a Anaté: deixe assim, não precisa de continuação, porque é muuuuito bom como Sophie e Keun-Suk terminaram. Eu só quero reler e reler essa história, e imaginar os dois juntos na Provence, ou na Coreia, ou onde eles quiserem, se descobrindo juntos.


Super Merci, Anaté, por essa história ao estilo doraimeiro e a la française! Super recomendada! Veio para mim em um momento que precisa muito de uma história assim, que me mostrasse que podemos superar dificuldades e também nos apaixonar por duas culturas tão diferentes, e tê-las em nossos corações simultaneamente.


Conheçam a Anaté pelo perfil no Instagram: @anatemerger

E o site de turismo pela Provence dela: https://naprovence.com/







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