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O Conde de Monte Cristo

Atualizado: Out 1



Título: O Conde de Monte Cristo

Autor: Alexandre Dumas

Editora: Zahar

Classificação indicativa: Livre

Gênero: Clássicos



“Não existe nem felicidade, nem infelicidade neste mundo, existe a comparação de uma com a outra, só isso. Apenas aquele que atravessou o extremo infortúnio está apto a sentir a extrema felicidade."


Escrito em 1844, e publicado no formato de folhetim (capítulos publicados separadamente em jornais na época), apresentando para a França Alexandre Dumas, filho bastardo de um general, que trazia ao mundo um estilo de narrativa rica em detalhes da ambientação das histórias, e uma das maiores características de suas obras, que é a fusão do ambiente real, do fato histórico, e de sua própria imaginação, quase imperceptível, fazendo o leitor se questionar o que de fato existiu, e se os personagens realmente são inventados. E se completa com as surpresas, reviravoltas, momentos de tensão, embates do destino, e deixando um suspense para o próximo capitulo. Dumas também apresenta um leque de personagens, vilões e heróis, que cativam seu público, e não por apresentarem complexos psicológicos ou dilemas internos a serem resolvidos, mas pela simplicidade presente nas características únicas, sejam virtudes ou vícios, e o que permite a imediata identificação do bem e do mal, e a escolha daquele que será favorito pelo leitor no decorrer da leitura. E em sua primeira grande obra, que começou apenas como impressões de viagem, isso não poderia ser diferente, entretanto, seria uma história marcante e, até ouso dizer, mais surpreendente que seu trabalho mais conhecido, “Os três Mosqueteiros”. O Conde de Monte Cristo não se trata de aventuras. Na verdade, ele se inicia com uma desventura.

Dumas deixa uma reflexão no livro: “ Sempre tive mais medo de uma pena, de um tinteiro e de uma folha de papel do que uma espada ou pistola”. Ele está certo. Palavras destroem um homem lentamente, e a longo prazo. E foi assim com Dantès. Danglars, usando de Fernand, bêbado, que contou sobre o encontro de Napoleão, escreve uma carta anônima para a procuradoria de Marselha falando de um traidor da coroa, na intenção de se livrar de Edmond, e Montego, pensando em Mercedes, aceita pelo mesmo motivo. A carta chega nas mãos de Villefort, que vê a oportunidade de tirar as suspeitas de traição das costas de seu pai e coloca-la sobre as costas de um homem pequeno, e assim manter o nome da família limpo. E são com esses motivos e intenções, que Edmond Dantès é preso, sem nem compreender o porquê, e mandado para a prisão no Castelo d’If. Foi então, preso injustamente, alvo de uma traição, peça de um jogo de interesses, que ele jura vingança aos homens que o colocaram lá, na sela mais profunda d’If, abaixo do castelo. E é nesse ponto, que a desventura promete uma reviravolta no perfil do personagem, não só física, como moral, que, até então não havia sentimentos que o repreendessem, é marcado pelo rancor e a dor que isso lhe causa. Porém, um abade igualmente detento o presenteia com um segredo: o local onde um grande segredo de esconde. Após uma fuga, ele vai atrás de tal preciosidade na ilha de Monte Cristo, para concretizar sua vingança conra aqueles que destruíram sua vida.

Era fácil conquistar títulos importantes em Paris, bastava ter lutado em batalhas ou possuir dinheiro em abundância, e isso lhe concedia a chance de ser um homem importante nas rodas sociais. E foi pela riqueza que chega na capital francesa em 1829, um homem desconhecido, excêntrico, misterioso e detentor de uma enorme influência onde passa, um cosmopolita, pela definição de Dumas. Seu título: O Conde de Monte Cristo. E é com essa aparição que a história ganha ares de suspense, e se torna também uma instigante aventura. Como um jogador de xadrez habilidoso, o Conde escolhe as peças do tabuleiro para alcançar seu objetivo, até então desconhecido. Um cavalo, cavalo chamado Danglars, agora barão e dono de sua própria importadora marítima, um bispo tratado como procurador Villefort, um rei que enriqueceu às custas de sangue, e se torna conde Fernand Morcerf, sua peça favorita, a rainha, Mercedes, agora casada com Fernand. E claro, ele não esquece dos peões, Albert Morcerf, filho de Mercedes e Fernand, e uma bela princesa escondida como escrava, chamada Haydée. E seu adversário, é o próprio destino. Atingindo o ponto fraco de cada um: o passado. Deixando para eles, um pouco do sofrimento que passou.

Nessa narrativa apaixonante, por horas torcemos ao lado de Dantès, por outras, odiamos o Conde de Monte Cristo, e, apesar de serem a mesma pessoa, são tão diferentes que podem ser chamados de heterónimos. A única coisa que os une é a vingança contra aqueles que o aprisionaram e destruíram tudo o que ele lutava para construir. Ganância, inveja, vergonha, mentira, soberba, podem ser encontrados nos vilões desse livro, por outro lado, nobreza, gentileza, bondade, coragem, ousadia, fé, esperança, são as qualidades dos heróis e heroínas. E em meio ao que Dantès sente, podemos sentir algumas vezes: mesmo que existam inúmeros ratos da sociedade, ainda podemos achar aqueles que nos fazem acreditar em algo bom.



Para os curiosos, a ilha de Monte Cristo realmente existe, e hoje em dia, o local recebe apenas 1000 visitantes por ano, e a autorização do governo italiano pode levar anos para tal visitação.

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