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Do Ocidente ao Oriente - Como saí da França para a Ásia?

Atualizado: 16 de mar.

Faz algum tempo que tenho preparado meus leitores para as mudanças que tem ocorrido, tanto nas plataformas digitais quanto na forma de me comunicar. Mas como meu foco de pesquisadora também tem se alterado, e afetado minha escrita, logicamente achei justo também contar um pouco sobre essa trajetória que percorreu a Europa até chegar à Ásia.


A maioria ainda me conhece como autora do romance histórico "A Rosa e o Florete", sobre a Revolução Francesa. Pelo período em que produzi o livro e mesmo depois da publicação essa tem sido a minha marca: apaixonada pela França e sua história. Não é mentira. Ainda estudo francês, tenho interesse na cultura francófona, e sou curiosa sobre diversos temas sobre a sociedade francesa. Entretanto, como pesquisadora, não consigo me tolher a apenas uma temática, e minha curiosidade me arrastou além continente, me permitindo viajar pelos livros e pelas palavras que li e escrevi.



Após a França, para alguns já é sabido, me dediquei à escrita do meu segundo livro (ainda não publicado) sobre a Revolução Russa. Como a maioria dos meus trabalhos que envolvem pesquisa, o livro também começou por causa de um artigo acadêmico. Foram longos anos até finalizá-lo, destrinchando a história da Rússia, um país que, particularmente, eu nada sabia além dos acontecimentos com os Romanov - fato histórico esse que sempre mexeu comigo desde os meus 10 anos, quando vi o filme animado "Anastásia" (1997). A Rússia foi para mim a abertura de um mundo novo e exótico, com ventos orientais soprando para novas coisas a serem conhecidas.


Eu amei a experiência de escrever sobre a Rússia. Aprendi muito, mesmo em um ritmo lento, já que exigia maior profundidade de pesquisa, e por eu ter que aprender do zero - sejamos sinceros, todos temos algum conhecimento, mesmo que estereotipado sobre o ocidente, mas nem tanto quando o assunto é o oriente. Amadureci minha escrita e minha forma de ver as sociedades, as pessoas, idiomas e personalidades de um povo. O resultado do romance histórico sobre a Revolução Russa me surpreendeu, ficou exatamente como eu queria. Quem sabe em breve vocês, leitores, possam conferir, se ele sair da minha gaveta.


Mas durante o processo de escrita do segundo livro, minha cabeça também cansava com tantas pesquisas, exigindo pausas mais longas. Porém eu não queria deixar de escrever!



Em 2016, graças a uma amiga da faculdade, descobri as séries coreanas, ou doramas como chamamos. Foi amor à primeira vista: eram séries curtas, com episódios interligados, o que me permitia assistir sem me atrasar nos conteúdos dos estudos. A liga deu certo!


Então veio a pandemia, e me consumi entre terminar o livro da Rússia, escrever artigos e assistir doramas. Nesse tempo - entre 2016 e 2020 -, eu também adquiri certa curiosidade sobre a cultura coreana. Eu já conhecia um pouco da japonesa (sempre fui fã de animes e mangás pelos traços e estilo de linguagem), mas aquele boom da Onda Coreana me cutucou.


Logo, uma coisa leva a outra, e resolvi escrever não apenas artigos sobre a Coreia do Sul - e também do Norte, por que não? -, como embarquei em produzir meu primeiro livro contemporâneo baseado nas séries coreanas durante meus intervalos com o livro da Rússia. Sim, eu escrevi dois livros simultaneamente! E o da Coreia fluiu tão bem que em 6 meses eu terminei! Foi um sentimento inédito, pois não o planejei previamente, e fui descobrindo o enredo e também o país junto com os meus personagens e pesquisas.



Da mesma forma surpreendente, após levar um baque com a pandemia, onde minha chance de estudar na França foi forçosamente retirada de mim (eu tinha a aprovação para estudar em Paris, mas não tinha visto nem onde ficar por conta da situação do mundo e do Brasil), me reergui ao ingressar no doutorado com a temática de estudos orientais, em especial, a identidade sul-coreana no meio dessa onda Pop.


E foi dessa forma que cheguei à Coreia do Sul pela pesquisa e escrita. Foi um processo que exigiu minha própria abertura em pesquisar e conhecer novos lugares, e me surpreender. Precisei passar antes pela Rússia para chegar à Ásia, assim como também um tempo para digerir a mudança de ares na minha vida.


Estou contando isso porque agora provavelmente a minha vida se tornou mais diversificada, e isso não é ruim, especialmente para vocês, que terão conteúdos mais diversificados produzidos por mim. Eu me soltei da França, posso dizer desta forma, não me permitindo mais ser rotulada apenas pelo meu primeiro livro. Digam que sou uma pesquisadora cosmopolita, do ocidente ao oriente.


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