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Carole e Tuesday

FICHA TÉCNICA:

CAROLE E TUESDAY

Nacionalidade: Japão / Estados Unidos

Direção: Shinichiro Watanabe

Gênero: Anime / Futurismo

Lançamento: 2019



Qual o nosso futuro? Em especial, qual o futuro das nossas criações? Da arte, da escrita, e da música?

Essa é uma série que nos faz pensar a respeito dessas questões, e mais algumas, partindo do quanto a tecnologia evoluirá nos próximos anos. E na perspectiva da série, esse futuro nos é apresentado após a colonização humana de Marte, e onde a Terra foi marginalizada e esquecida.

Tuesday é filha de uma política que concorre às eleições presidenciais de Marte, tendo uma vida abastada, mas extremamente isolada. Cyndi Louper instiga a jovem a correr atrás de sua vida e sonho, que é de criar suas músicas. Ela foge de casa, acompanhada apenas de sua mala e seu violão Gibson, para a cidade de Alba, a capital de Marte.

Carole é uma orfã refugiada da Terra em Marte, que também buscou em Marte uma vida melhor do que a aquela que vivia no orfanato. Vivendo sozinha em um antigo depósito de uma loja, que vira seu apartamento, está sempre correndo atrás de empregos para se manter, mas consegue um tempo para tocar seu teclado portátil pelas ruas de Alba, tentando ser escutada.

E é em um desses momentos que Carole e Tuesday se conhecem, se conectando pela música.

Sua primeira criação, exposta nas redes sociais, após ousarem tentar tocar em um teatro, atrai a atenção de Gus, um antigo empresário, e com métodos de sucesso tradicionais, que acredita no potencial das garotas.


Em contraste, temos Ângela, uma jovem modelo que quer sair desse ramo para entrar no meio musical. Sua fama já existente não é barreira, e como um produto, ela aceita ser só a voz por trás de canções criadas por Inteligência Artificial, pelo computador do produtor musical Tao.


A carreira de Carole e Tuesday sempre será colocada em contraste com a de Ângela, como o talento puro e o talento fabricado, em um futuro que a tecnologia se torna mais capaz que os humanos, e os humanos tão frívolos quanto máquinas.


Além da questão da indústria cultural exposto pelos shows da dupla, bem como seus concorrentes em um concurso de música e no decorrer da escalada pela carreira artística, outras temáticas também são abordadas, como imigração, gênero, relacionamentos familiares e problemas sociais. E conforme as personagens amadurecem, as temáticas também ganham importância em suas vidas, tornando a série não apenas entretenimento, mas também um questionamento do que queremos para nosso futuro, ou de nossas gerações.


Cada episódio carrega o título, e um pouco da essência, de uma música dos anos 1980, nos ligando ao auge da música Pop-Rock, construindo então uma ponte entre passado, presente e futuro, com as músicas originais das personagens. Além disso, a animação é lindamente bem-feita, pensando em uma cidade futurista desejada em Marte, porém inalcançável para muitos que ficaram na Terra. E a pergunta "Em que Marte e a Terra se ligam?" pode romper ou manter essa ponte.


Essa é uma animação que super recomendo para os apaixonados por música e temáticas futuristas - ainda não soube classificar se chamaria de uma utopia ou distopia -, ainda se questionando o que nos espera. Mas admito: nunca me questionei o que espera o futuro da música para as próximas décadas. Para mim, que se identificou com Tuesday e seu violão, a possibilidade da emoção construída pelo coração humano inserida nas músicas, ser substituída por inteligência de computadores, me assusta. Espero que muitas Caroles e Tuesdays existam no futuro.


A série pode ser assistida na Netflix - São um total de 2 temporadas! Confiram lá!



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