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A Imperatriz (1ª temporada)

FICHA TÉCNICA:

A IMPERATRIZ

Nacionalidade: Alemanha

Direção: Florian Cossen, Katrin Gebbe

Gênero: Drama histórico

Lançamento: 2022

Elenco: Devrim Lingnau, Philip Froissant, Melika Foroutan, Johannes Nussbaum


Aos meus quinze anos comecei a me apaixonar pela Áustria, e minha mãe me contou sobre Sissi, ou Elizabeth da Baviera, a princesa que se casou nesta idade com o Imperador Franz Joseph, e se tornou, assim, imperatriz da Áustria, um dos maiores impérios da Europa no século XIX, governado pela então dinastia Habsburgo. O primeiro contato que tive com essa história foi através da trilogia dos anos 1950, onde a belíssima atriz Romy Schneider interpreta Sissi. A narrativa é romanceada, mas me marcou, e me apaixonei por mais uma princesa da vida real.


Depois disso, passei a acompanhar as mais diversas versões sobre a história de Elizabeth, desde livros que chegaram ao Brasil - inclusive um que tenho é uma raridade e herança de família, que pertenceu a minha avó na época da trilogia 1950 -, de animações até novos filmes, como a duologia de 2009, e outros formatos de produções. Por elas, aprendi os pontos principais da história da Imperatriz rebelde, que muito é comparada à Lady Diana. Também comecei a identificar as diferentes formas de narra-las e o quanto conseguiam ser fidedignas.


Nesses dois últimos anos - 2021 e 2022 - parece que novamente Sissi voltou a ter destaque Uma nova série foi produzida em 2021, disponível no Globo Play aqui no Brasil, e anunciaram um novo filme ainda para 2022, "Corsage", que relata a relação de Sissi com a beleza depois dos 40 anos. Além disso, este ano chegou a série "A Imperatriz", pela Netflix. Sendo a produção que eu tinha mais acesso no momento, acabou sendo a que escolhi assistir primeiro.


Fui surpreendida. Inicialmente, positivamente, mas depois, negativamente. Achei que a produção relataria uma Sissi mais presa à realidade, inclusive quando a personagem logo impõe ser chamada de Elizabeth e não por seu apelido. Gostei do jogo de luzes, da abertura com formas geométricas, mas achei, por hora, a narrativa rasa e ainda fabulada.


Primeiro, se tratando de representação histórica, deixou a desejar pelo cenário, desde o começo. A produção não foi gravada nos icônicos palácios austríacos Schönbrunn e Hofburg, mas sim na Alemanha. Posteriormente, logo no terceiro capítulo, o figurino também começou a me incomodar como Helene, a irmã mais velha de Sissi, com cabelo channel em pleno 1850! Os vestidos na cena do casamento também não correspondem à época, e neste momento percebo que seria mais uma releitura que penderia para o interesse público do que pela verdadeira história de Sissi.


Quanto aos personagens principais, Sissi e Franz, me pareceram, por hora, um pouco imaturos e fracos. Sissi, que desde o começo de seu casamento apresentou embates com sua sogra, por hora apenas desafia pequenas regras da corte, mas aceita as broncas de sua tia e também da Condessa Esterhazy. É uma Elizabeth que muito prometia, e surge infantil. Quanto ao Franz, ele quer ter mais voz, mas perde destaque para seu irmão Maximilian, que, por enquanto, me parece o único com desafios de atuação promissores (exceto pelo fato de eu não me lembrar da figura ser tão libertina na vida real).


Mas uma coisa positiva que achei foi a visibilidade feminina. A série dá este destaque, desde à arquiduquesa Sofia, princesa Ludovica e imperatriz Sissi, até uma das damas de companhia, que é uma espiã do povo em pró de uma revolta. Achei isso bem montado e válido em demonstrar como era a voz feminina, ou a falta dela, dentro e fora da corte de Viena e nos subúrbios da cidade. Mas deve-se ter cuidado em dosar esse ponto , para continuar natural, e não se tornar forçado. A questão dos conflitos sociais, como levantes do povo e a guerra no Leste Europeu, podem precipitar o que faria Elizabeth ser amada pelo povo e odiada pela corte. Esperemos...


No geral, a obra não busca fidelidade, isso fica claro. É mais uma das muitas histórias sobre Sissi, mas que não será marcante como Romy Schneider, apesar da atriz Devrim ser tão bonita quanto. Mas a coroa que Romy sustentou com este papel não lhe pode ser tirada. Apesar disso, a narrativa permite mais um novo contato com a história da Imperatriz, atualizada, e menos romantizada, o que é algo positivo. Deixo a questão para mim: por que Sissi retorna agora? Quem sabe pense mais enquanto espero a segunda temporada, se houver, lógico.



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