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As lágrimas do autor e como secá-las


Ser autor parece, aos olhos dos leitores e do restante das pessoas, como uma grande carreira de renome e sucesso, porém só nós que vivemos o peso da pena e dos dedos no teclado, sabemos o realidade da profissão.

Por isso, de acordo com minhas experiências, quero contar um pouco sobre alguns momentos que já vivi e que vivo como autora, e que, algumas vezes, parecem chatas, penosas, e que precisamos engolir e sorrir, além de superá-las.

Então, vamos à realidade dos autores, pelo menos aqui do Brasil:

- Não temos formação ou profissão ESCRITOR: Até porque essa faculdade não existe. Temos a faculdade de Letras, que é relacionada ao tema da escrita, porém, muitos escritores, não possuem sua primeira formação relacionada ao mundo das Letras. Eu, Mariana Pacheco, no caso, sou formada em Publicidade e Propaganda, também conheço outros autores das mais diversas áreas. As vezes isso é bom, e as vezes é ruim... depende do dia e da situação.

- A desprofissionalização da carreira autor: por não termos uma formação "profissional" de autor, ser escritor no Brasil não garante emprego, nem dinheiro, muito menos um reconhecimento dos Best Sellers americanos ou dos Youtubers (que aliás também não são um profissão) com suas bibliografias. Sabiam que na Noruega se paga uma bolsa de 25.000 mil euros para os novos autores? (https://brasil.elpais.com/brasil/2017/08/10/cultura/1502362913_460103.html​) Pois é... Ser autor no Brasil é não ter um reconhecimento como profissional. Por isso ter um outro diploma nos salva.

- O tempo para se dedicar a escrever: não podemos dedicar 24h para a escrita, já que temos que estudar, trabalhar, viver... enfim, o tempo para pesquisar, ler e escrever (porque é preciso fazer esses três itens para boas obras) acaba sendo curto e por isso a demora para terminar e publicar o livro. Um dia, conseguiremos conciliar tudo, mas...

- Nossos direitos autorais são fracos: fomos os ultimo país a ter direitos autorais, e ainda assim estão desatualizados para atender as novas mídias de propagação digital. Acaba que viramos neuróticos, tentando proteger nossos direitos autorais, evitando plágios e pirataria, notificando a editora. Mas chega um hora que a gente se acostuma a checar essas situações sem se sentir mal, e perceber que existem mais sites falsos do que plágios reais.

- A paciência é a melhor amiga do autor: paciência para escrever, para revisar, para registrar, para receber avaliações das editoras, para publicar, para vender... enfim, os escritores ansiosos aprendem muuuuito durante o percurso de escrita, e muda drasticamente.

- Nem tudo é o que parece: A escolha da sua editora deve ser feita com muito amor pelo seu filho... digo, livro. Não deixe que façam o que quiserem com ele. Deve ser uma editora que abrace sua obra e te respeite, como autor e seus direitos autorais.

- Você não é o único na editora: é chato você não receber resposta imediata da editora, ou várias comunicações sobre seu livro no site e redes sociais da editora, e ai começa a revolta com sua editora. Mas lembre-se quando estiver prestes a surtar: Você não é o único no portifólio da editora, e também está começando, portanto: normal não ser o centro das atenções.

- Se vira: site, rede social, comunicação, eventos, divulgação... normalmente toda a parte de publicidade do seu livro é responsabilidade do autor, ele gostando ou não. Justamente pela editora não ter tanto tempo para todos os autores, é importante aprender se virar sozinho. Faça seus contatos e aprenda a se comunicar.

- O autor humilde: o autor que guarda seu ego no bolso e aprende a entender o ponto de vista de seus leitores, da sua editora e das livrarias se dá melhor e sofre menos, já que não terá que lidar com retaliação dessas partes e de críticos em blogs e redes sociais por ser grosso, estúpido, esnobe e metido.

- Amadurecimento: no começo, os autores iniciantes se tornam preocupados com as mais diversas situações, como por exemplo:

*críticas literárias - é chato ter seu livro criticado, mas lembre-se, o gosto literário é variado, e certo livro pode não agradar alguns, e agradar outros. Se os críticos lhe faltarem com respeito, ignore, pois prova que tipo de crítico (baixo) é.

*desapego dos leitores - quando se vê um livro seu em um sebo (as vezes até com dedicatória) ou com desapego em sites, você fica chateado. Lembre-se do que foi dito no primeiro item, e acrescente o fato que alguns leitores acham legal desapegar para que outras pessoas possam ler, ter acesso, etc.

*o cenário literário - vendas baixas, leitores despreocupados, crise... esses fatores mexem com o emocional de um autor. Mas eu gosto de pensar que muitos autores clássicos e até mesmo hoje em dia, demoraram para vender sua primeira edição, e voltar para o primeiro asterisco: não se agrada a todos. Dependendo do gênero que você escreve, deve ter noção que seu publico será especifico, e que suas vendas podem ser mais devagar, mas isso não quer dizer que não vá vender (lembre-se paciência).

Após um amadurecimentosos escritores aprendem a lidar com essas situações, cada qual da sua forma, mas soamos mais naturalmente, menos encucados, porém ainda responsáveis pelo trabalho que produzimos.

Aliás, quando aprender a superar e responder a seguinte pergunta:

"ENTÃO, QUANDO SAI O PRÓXIMO LIVRO?"

Parabéns!!! Você evoluiu como escritor!!!


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